7 de outubro de 2009

Update em La Fontaine

(autoria desconhecida)

Chega o inverno e as formigas estão todas agasalhadinhas no formigueiro, desfrutando do que acumularam com o árduo trabalho. Tudo de forma racionada, é claro, porque as provisões têm de durar até a primavera. Mas estão felizes, essa é a recompensa pelo esforço empregado.

De repente, ouvem uma batida na porta. Imaginam que é a cigarra folgada que passou o verão inteiro cantando e dançando. Elas não querem atender, porque têm certeza que ela vai pedir abrigo e vai querer comer da comida que não trabalhou para obter.

Uma das formigas decide atender só pra dar um passa-fora na cigarra cara-de-pau. Ao abrir a porta, se depara com a cigarra envolta em um luxuoso casaco de peles, ao lado de um carro importado.

_ Oi, amiga. Vim aqui me despedir, porque estou indo viajar.

A formiga não acredita no que vê e pergunta o que aconteceu.

_ Eu estava cantando e apareceu o dono de uma gravadora internacional, gostou da minha música e me contratou. Essas coisas aqui são um adiantamento pelo CD que vou gravar. Estou indo pra Paris passar uma temporada para preparar o álbum.

A formiga, revoltada, então diz:

_ Ah, você vai pra Paris? Se encontrar por lá um tal de La Fontaine, fala que eu mandei ele pra pqp!...

16 de setembro de 2009

100 Maneiras: Teaser da 4ª Temporada

15 de setembro de 2009

100 Maneiras - Último episódio - Separações - Parte 1/3

Último episódio da sitcom "100 maneiras" (TV Ideal - Canais Abril), que tive o prazer de escrever junto com a Carlinha França. Finalmente, parte da 4ª Temporada está no Youtube!!!

SINOPSE DA SÉRIE:

O empresário Márcio Aurélio, dono da empresa de plásticos "Ora H" é um self made man, porém lhe falta trânsito social e credibilidade no mundo dos negócios. Para resolver essa questão, contrata a consultora de etiqueta empresarial Célia Leão, que passa a analisar o comportamento de seus funcionários e do próprio empresário. Célia assume esse desafio como um verdadeiro "case", já que Márcio logo se revela osso-duro-de-roer. Acontece que a consultora acaba se
afeiçoando a Márcio Aurélio, e por fim, acaba se tornando a única a ajudá-lo quando a falência se aproxima.

Os episódios da sitcom são temáticos, abordando aspectos típicos da vida empresarial, p.ex. como lidar com a concorrência, fofoca interna, competição exagerada, chefes desequilibrados, funcionários que falam demais ao telefone, envolvimento amoroso entre colegas, abuso de poder, assédio verbal e sexual, como fazer networking, como fazer mídia positiva etc. etc. etc.

O formato narrativo é assemelhado ao "The Office" britânico. Há cenas contracenadas intercaladas com depoimentos das personagens, sobretudo os de Célia Leão, que analisa o certo e o errado de cada situação. Dessa forma, a linguagem se assemelha à de um "fake reality show", com interpretações espontâneas e gags deliciosas. É bom ressaltar que a consultora Célia Leão é uma consultora de verdade, com inúmeros livros publicados e cuja vida real é propositalmente misturada à vida ficcional das personagens.

8 de setembro de 2009

A lógica da ampulheta

À medida que a gente fica mais velho, o tempo corre mais depressa. Apesar de sentir na pele, não entendia a lógica. Até um amigo vir com sua esclarecedora teoria:
__ Um mês, quando se tem 20 anos, vale o dobro do que aos 40!
__ Como assim?
__ Quando temos 10 anos de idade, as férias de julho não são uma eternidade?
__ São...
__ E hoje, julho não voa?
__ Voa.
__ Pois é. Pra que a sensação de duração fosse a mesma que aos 10 anos, hoje, aos 30 anos, as férias deveriam ser de pelo menos três meses.
__ Mas isso é impossível.
__ Eu sempre dou um jeito.
__ Como?
__ Sou funcionário público.

18 de agosto de 2009

Uma cantada e tanto...


26 de julho de 2009

Hamlet e Jacó, separados no nascimento

Fazendo pesquisa para um argumento de cinema, fui folhear a Bíblia em busca de inspiração. Não, não sou evangélico. Fui parar lá por conta do livro "Dicionário dos Mitos Literários", de Pierre Brunel, que fazia uma interrelação entre Hamlet e Jacó...

Correlação improvável, não? De qualquer forma, folheei o Gênesis em busca de alguma citação ou passagem interessante. E não é que descubro que Jacó foi um grandessíssimo filha-da-puta?

O cara tinha um irmão gêmeo chamado Esaú (sim, Machado de Assis escreveu "Esaú e Jacó" inspirado na Bíblia) e morria de ciúmes dele, pois Esaú tinha nascido primeiro, era um caçador nato e o xodó do pai Isaque.

A relação de rivalidade entre os irmãos chega a um ponto alto: Jacó finge ser Esaú no momento em que o pai está para morrer, e "rouba" a benção final que deveria ser dada ao irmão Esaú. Naqueles tempos, a benção no leito de morte era sentença de sucesso ou insucesso na vida, e só podia ser dada a um único filho...

Então, com o pai prestes a morrer, cego igual um gambá, Jacó finge ser o Esaú. Para tanto, ata pele de cordeiro no peito e nos braços para parecer peludo igual ao irmão gêmeo. Isaque tateia o filho, engole a trapaça e abençoa Jacó pensando se tratar de Esaú. Bingo! Foram selados o destino e a inimizade dos irmãos...

Claro que o coitado do Esaú fica puto da vida - com razão - e faz juras de morte a Jacó. Porém a Bíblia conta a história como se Jacó fosse um cara bacana, apesar de ter feito uma tremenda sacanagem com o irmão. Jacó seria o eleito e tals, e isso justificaria toda a filha-da-putagem que fez. Tudo para atender a uma vontade superior. Amém.

Posso estar errado na interpretação - que me perdoem os mais crentes - mas essa passagem do Velho Testamento não é nada cristã (por motivos óbvios, claro)! Ela justifica a vaidade sem escrúpulos. Afinal, se você se acha o tal, vá em frente, seja um lobo em pele de cordeiro, passe por cima de tudo e todos, incluindo o teu companheiro no ventre materno. Ah, francamente...

Pelo menos percebi a correlação com Hamlet. Se eu fosse um psicanalista, diria que ambos sofriam de complexo messiânico, fruto da "ótima" relação com a figura paterna. Não daria alta nunca, e com o dinheiro da mensalidade, construiria uma casa de praia com vista para o mar.

24 de julho de 2009

Quero ser low bat

Há meses sinto uma dorzinha na omoplata. Leve, mas contínua. Parece um pequeno vazamento de água numa engrenagem. Ela irradia pelo braço, num sambinha muscular. É imune a Salompas, massagens da minha mulher e Dorflex. Tô cogitando somatização, mas num ombro só seria o quê, meia-tensão? Só sei que ela me acalma. É curioso.
A tal dorzinha funciona como dia de chuva. Aquela garoa caindo fina limitando as possibilidades do dia. Então você se joga na cama, puxa uma colchinha, abre um livro, vê um DVD. Pode até comer uns bolinhos de chuva ou fubá, entremeando com cochilos. Delícia da consciência tranqüila! E isso tudo não é possível quando o dia está ensolarado, te obrigando a viver a vida com a bateria full.
A grande neurose contemporânea é viver full. Otimizar o tempo, regular os intestinos, se desdobrando entre deveres e prazeres-clichê. Isso me cansa, irrita mesmo. Quero ser low bat, curtir o tempo de recarga sem stress e perceber melhor os meus pensamentos. Na boa, santa dorzinha na omoplata.